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  • Felipe Moraes

Prefeitura de Eunápolis manifesta preocupação com o Rio Buranhém e pede providências ao MMA

Atualizado: 3 de set. de 2021


Foto: Marcos Bernardes

A Prefeitura Municipal de Eunápolis encaminhou no início do mês um ofício ao Ministério do Meio Ambiente manifestando preocupações com a destruição do ecossistema do Rio Buranhém, também conhecido como Rio do Peixe. De acordo com o documento, cerca de 70% do rio está assoreado, e suas matas ciliares estão praticamente destruídas, extinguindo o ecossistema que “irriga e abastece mais de uma dezena de cidades” do extremo sul baiano.


A solicitação foi encaminhada pelo vice-prefeito Wanderson Barros em documento dirigido ao ministro Joaquim Leite, atual chefe da pasta em Brasília. “A cidade de Eunápolis, que fica situada no extremo sul baiano, é abastecida por este importante rio, [que] pede socorro e necessita de uma urgência revitalização e recuperação de suas matas ciliares”, descreve o vice-prefeito no ofício.


O Rio Buranhém é um dos maiores e mais densos rios da região, com 148 km de extensão, sendo 20 em Minas Gerais, onde nasce, na cidade de Santo Antônio do Jacinto, e 128 na Bahia, onde fica sua foz, na cidade de Porto Seguro. Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), só em Eunápolis o Buranhém abastece mais de 88 mil pessoas, sendo apontado como potencial manancial para abastecer Porto Seguro até 2025.


De acordo com estudos da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e do Instituto Federal da Bahia (IFBA), as atividades agropecuárias, em especial a pastagem e, mais recentemente, a monocultura do eucalipto, são as principais ameaças para o ecossistema do Buranhém. Em pesquisa recente realizada na UFSB, verificou-se que cerca de 25% das Áreas de Preservação Permanente (APPs) da Região de Planejamento e Gestão das Águas IV, onde o Rio Buranhém está localizado, são antropizadas - ou seja, sofreu algum tipo de intervenção humana.


Para o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rios Frades, Buranhém e Santo Antônio (CBHFRABS), o professor Marcos Bernardes, “o envolvimento do poder público executivo municipal de Eunápolis - assim como da população em geral, é muito bem-vindo e deve motivar a mobilização de outras Prefeituras, Câmaras de Vereadores, consórcios intermunicipais, poder judiciário em torno desse precioso recurso que é a água”. Reforça ainda que “devemos planejar e agir preventivamente, e não deixar que novas crises hídricas ocorram na região”.


“Vem se observando que as vazões do rio Buranhém, no trecho onde a rodovia BA-001 corta o rio, já não são as mesmas do passado e que, portanto, a redução na quantidade de água contribuirá para a piora da qualidade da água, agravando ainda mais o cenário de insegurança hídrica”, afirma Bernardes.


Previsões realizadas para as bacias hidrográficas dos rios de leste de Minas Gerais, que fazem parte das ações do plano diretor dessas bacias, reforçam esse cenário preocupante. “Precisamos agir pra ontem e o comitê de bacias está de portas abertas para buscarmos soluções conjuntas”, conclui.


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